Quem segue minha viagem pela China

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08/11/2013

                                                                                                      Wuhan, 08 de novembro de 2013
你好,


Minhas amigas chinesas estavam me visitando e elas tiveram a oportunidade de saborear uma boa goiabada com creme de leite. Até explicar como era feito e o que era goiaba foi uma longa história...

05/11/2013

                                                                                             Wuhan, 05 de novembro de 2013

你好,

Corra que nem uma louca porque é cilada. Não que o lugar seja horrível ou não vale a pena conhecer (sinceramente, vale muito incluir no roteiro de viagem a China). Mas, tenha em mente que você vai andar, andar, andar e subir e descer e parar para tirar muitas fotos (só nos 20 primeiros minutos antes de sentir o cansaço). Se você não tiver muito fôlego e achar um saco roteiros ecológicos vai achar esse programa um saco. Vou contar do inicio como fui parar no lago da Mulan.

Se você costuma acompanhar meu blog já percebeu que eu me mudei de Shenzhen para Wuhan a séculos (se não, agora já sabe RÁ!). Então, quando eu sabia que vinha morar por aqui a primeira coisa que eu fiz foi uma pesquisa básica sobre essa cidade no Google e, dentre várias coisas, Wuhan é famosa por ser a cidade da Mulan (Hua Mulan, em chinês  花木兰). Vai dizer que não veio a cabeça a animação da Disney? É desta mesma personagem que estou falando. Me empolguei todo para conhecer a tal Montanha da Mulan, onde ela passou uma parte da vida. Porém devido minha rotina super atarefada nunca arranjava um tempinho para ir até lá.

Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan
Da esquerda para a direita: Eu, Val e Andressa em 木兰天池
Um belo dia minhas amigas Val e Andressa resolvem me visitar durante um dos pouquíssimos feriados chineses. Pronto! Esta foi a desculpa perfeita para ir conhecer alguns pontos turísticos de Wuhan (que alias são inúmeros). Estávamos todos excitadíssimos para conhecermos a tal montanha. Só que.................... na hora de comprarmos (na verdade a Val e a Andressa foram comprar) os bilhetes para a excursão descobrimos que o lugar era enorme e que não havia excussão disponível para a montanha nos dias que queríamos e sim para para a Mulan Tianchi (木兰天池), que em uma tradução adaptada seria algo como Lago da Mulan (tianchi não possui uma tradução do mandarim). A atendente da agência de viagem disse que se quiséssemos ir até a montanha poderíamos ir no ônibus da excussão e depois da visita ao lago ficaríamos por conta própria para ir até a montanha no dia seguinte (decidimos por bem ir até o Lago da Mulan somente). Segundo a Val, a comunicação entre elas e atendente na hora de entender o roteiro foi bem direto isto porque a moça usou as únicas 10 palavras em inglês que ela sabia e as meninas as únicas 10 que elas sabiam em chinês para se comunicar. A parte mais explicita do dialogo foi que deveríamos levar comida para comermos durante a viagem. Ainda segundo a Val a atende enfatizou várias vezes: NO BREAKFAST, NO LUNCH (sem dejejum, sem almoço).

Com as passagens compradas e temendo que as meninas pudessem ter entendido alguma coisa errado nesse diálogo de 10 palavras, fomos ao Carrefour comprar alimentos. O que esperar para comer? Fizemos uma cesta básica com suco industrializado, pão. bolacha recheada, geleia e água (reparou que não escolhemos nenhuma fruta? rá).

Acordamos às 4 da manhã de domingo para chegar a tempo ao local onde supostamente o ônibus nos pegaria. O clima era de total empolgação para ir conhecer o lugar. Uma vez eu escrevi no meu face que o problema dessa cidade é só a distância: aqui é tudo muito longe (mandar alguém para casa do caralho tem realmente outro significado quando se mora em Wuhan). Chegamos ao ponto de encontro 30 minutos antes do combinado e como estávamos um pouco desconfiados liguei para a moça responsável pela excussão (e que supostamente seria nossa guia). Meu mandarim é do tipo "só eu entendo" e o pior foi descobrir que a guia sabia menos que 10 palavras em inglês e a conversa durou uns 5 minutos com frases (ou melhor palavras) do tipo: Nós...Aqui...Estamos...Você... onde... está? Sim é possível passar muitos minutos só falando essas palavras #desespero. No final das contas estávamos no lugar certo (que bom né). A viagem de ônibus durou um pouco mais de 2 horas e por incrível que pareça não saímos de Wuhan. O nosso destino era o distrito de Huangpi, um local que se leva mais de 2 horas para se chegar você já sabe onde fica localizado né ? (Lá na casa do Caralho).

Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan
A seta mostra o lugar onde paramos.
Descemos do ônibus, os chineses se organizaram em filas e no nosso roteiro estava escrito que passaríamos 8 horas. Logo pensamos que seria um absurdo gastar 8 horas em um lago. MERO ENGANO! Depois que passamos do portão de entrada olhamos para trás e não vimos ninguém da nossa excussão. Simplesmente todo mundo tinha evaporado e cada um foi para onde bem entendia. Durante alguns minutos ficamos parados esperando que a guia fosse nos "guiar" pelo lago (só que não #sqn). Ela sumiu (se bem que não seria de grande utilidade ter alguém que só sabe 5 palavras em inglês). Nós ficamos nos perguntando o porquê de nossa guia ter nos abandonado. Em 2 horas descobrimos por intuição o motivo. O lugar é enorme e em 8 horas só conseguimos conhecer 50% do caminho. Nós soltamos de tirolesa, escalamos pedras, caminhamos, descemos vários degraus e era tão longo o passeio que parecia que não acabava. A gente ia chegar em Tóquio e nada de encontrar saída.

Essa fotos estão disponíveis no Google e dá para ter uma ideia da beleza do lugar:

Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan




Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan
  
             
Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan


Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan


Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan




Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan


Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan



Esse vídeo aqui é um resumo do que conseguimos fazer. A parte que mais gostamos foi a descida de bunda. Paga-se 20 RMB (R$ 6,60) para escorregar de bunda uma parte do trajeto. É muito divertido. O ruim é o congestionamento de chineses.

25/09/2013

EU, DO LAR

10:45
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                                                                                                          Wuhan, 08 de agosto de 2013

你好,


Apesar do pouco tempo que dedico a narrar minhas experiências na China fico feliz por saber que muitas pessoas (aos quais eu nunca vi na vida) estão acompanhando meu dia a dia do outro lado do mundo. Muitos me perguntam e como é a comida aí? Você já se acostumou com o tempero? Bom, a comida é "exótica" tem umas coisas muito gostosas que com certeza iriam fazer sucesso em terras tupiniquins, mas já outras prefiro nem opinar. Nesses casos eu sempre costumo dizer que vivo um caso de amor e ódio com a comida chinesa.

Como me sinto limpando a casa.
Como agora eu conseguir conquistar meu próprio lugar ao Sol (rs) e estou vivendo a experiência de morar só pela primeira vez decidi por a mão na massa e virar uma dona de casa. Tenho que confessar que estou me superando como uma "do lar". Nunca me imaginei (na verdade não gosto) ficar limpando casa. Sendo honesto, estou encarando essa minha nova função como um meio de aliviar a tensão da semana. Coloco um som bem alto e saio varrendo a casa. Como uma boa dona de casa, também tenho a hora de cozinhar. E é nesse momento que não sou tão bem sucedido algumas vezes. Sempre cozinhei no Brasil e coisas gostosas surgiam. Aqui nem sempre (rá).

Como me sinto quando a comida dá certo
Mas até que estou me virando bem e tentando adaptar os temperos e ingredientes asiáticos para que saiam o mais próximo do gostinho brasileiro. Na China é possível fazer diversos pratos que comemos no Brasil - é claro que não sai igualzinho mas sai "tipo" comida de mãe. A minha amiga Omara (que é minha conterrânea do  Amazonas) me ajudou a fazer pão de queijo e saiu muito bom. O difícil foi só encontrar o polvilho. Ler os caracteres do mandarim não é uma das tarefas mais fáceis. 

Uma coisa que eu não acerto fazer de jeito nenhum (nem com reza braba) é o arroz soltinho. Ele sempre sai aquela mistura de unidos venceremos que os asiáticos tanto adoram. Fico com ódio mortal e praticamente cortei o arroz da minha cozinha. Mas por outro lado consigo fazer uma macarronada com feijão salgado (aqui se come o feijão doce no pão) e um bom bife. E falando em bife, eu ralei para achar uma forma de fazer um bife próximo aquele que eu comia na casa de mamãe. Graças ao Facebook, consegui a ajuda de vários brasileiros que moram aqui e eles me explicaram como eles preparam um bom bife acebolado. Não tem muito mistério. Usei molho de soja (como me recomendaram) e acrescentei mais um tempero pronto que os chineses usam para passar na carne. Como eu gosto da carne bem macia a Chris (do blog uma família brasileira na China) me passou a dica de passar uma mistura de ovo com uma colherzinha de maisena na carne antes de frita. Bingo! deu certo! Saiu tudo gostosíssimo.  Olha aí o material que usei no bife:

Maisena na China se chama Sheng Fen e é fácil de encontrar


Molho de Soja, fácil de encontrar.


Tempero chinês para passar na carne que lembra um pouco o gosto do colorau 
cozinhando na china comida brasileira polvilho
Olha aí como é o polvilho chinês.
Eu não sei do que isso é feito, mas usamos para empanar já que farinha de rosca não é algo que se encontra com muita facilidade nos supermercados


Ir ao supermercado é uma atividade que exige paciência. Dependendo do dia e do horário você pode ficar mais de 30 minutos na fila 


Aqui as salsichas são muito pequenas. Em um pão você precisa colocar 2 para sair o tamanho de uma salsicha no Brasil. Vai entender o porquê dos chineses gostarem de tamanho pequeno.
Meus amigos chineses adoram a comida brasileira, sobretudo a salada de maionese e farofa de banana com ovo.




Por hoje é só e até a próxima!!!!


Obs.: para quem quiser tentar fazer pão de queijo aí é fácil. A receita que a Omara me enviou, testei e aprovei foi essa:


Ingredientes: 



  • 500g (2 pacotinhos desse polvilho) 
  • 1 copo/xícara 250ml de óleo menos um dedo 
  • 2 copo/ xícara de leite 
  • 1 colher de chá de sal 
  • 3 ovos 
  • 250g de queijo ou o equivalente a um copo grande (não precisa ter pena do queijo) 



Modo de preparo:


Misture o óleo, leite e sal. Deixe ferver até subir e escalde no polvilho até ele ficar todo molhadinho. Coloque para esfriar e depois acrescente os ovos um a um, alternando com o queijo e sovando bem após cada adição.


Para fazer as bolinhas untar as mãos com óleo (bem pouquinho.)

Coloque no freezer depois no ziplog e enjoy!!!

03/09/2013

03 de setembro de 2013
你好,

Claro que não adianta pedir desculpas pelo tempo em que demoro entre um texto e outro aqui no blog, mas realmente demorei muito tempo para me estabilizar em Wuhan. Como eu disse no último post, eu estava de mudança e nem casa eu tinha. E não é que agora estou com casa (organizada, limpa e com internet).

Então, a viagem foi mega tranquila de trem bala (quase 5 horas). Chegando na cidade propriamente dita não conseguir evitar a comparação de forno. Wuhan é uma cidade quente, e a terceira mais quente na China. A boa notícia é quando eu cheguei era o final da onda de calor na China e por isso acabou que não vivi intensamente o forno dessa cidade.

Apesar do pouquíssimo tempo de vida em Wuhan não consigo evitar as comparações entre aqui e Shenzhen. Primeiro porque aqui o sistema de transporte público é caótico, os ônibus são sempre lotados e a maioria possuem dois andares. Na china em várias cidades os veículos como metrô e ônibus sempre dizem para os passageiros a estação em que está aportando e o próximo destino. Em Shenzhen esses avisos são em mandarim, cantonês (língua oficial da província) e inglês.  Já em Wuhan é um exercício de VAMOS PRATICAR mandarim o tempo todo pois, ao menos o ônibus, trazem tudo só em mandarim (imagina você se sentir 100% analfa?).

E falando em metrô, um dos meus maiores prazeres eram andar de metrô. Em Wuhan só há 2 linhas (está prevista para abrir uma terceira linha em dezembro deste ano) e não cobre quase nada da cidade, ou seja, foi-se embora minha forma rápida de locomoção. Por outro lado o táxi é absurdamente barato, eu praticamente uso e abuso do táxi, porém................ Por ser barato os motoristas podem escolher se vão te levar ou não.  Se o passageiro não estiver indo para o mesmo sentido do taxista ele simplesmente briga com você e ainda te faz descer (isso acontece toda semana comigo). Outro ponto negativo, pelo fato de o táxi ser barato, é que o valor o torna acessível para todos os chineses e isso faz com que pegar  um táxi seja um exercício de paciência. Eu mesmo já perdi mais de 40 minutos debaixo do sol escaldante esperando que algum chinês não passe na minha frente para pegar um dos poucos táxis vazios (se tem algo que me estressa é quando os chineses passam na minha frente e se jogam na frente do carro para entrar antes de mim). PEGAR TÁXI EM  WUHAN NÃO É FÁCIL!!!!!

Outro choque que eu tive ao chegar em Wuhan foi ter que me acostumar com os colchões de cama tão macios quanto uma mesa de jantar. Na verdade não há diferença entre a rigidez do chão e a do colchão. Em minha primeira semana aqui tive muitas dores nas costas até comprar milhares de edredom para forrar a cama e torna-la um pouco mais “aconchegante”.

Wuhan brasileiro na china
Finalmente cozinhando comidas do Brasil.

Wuhan brasileiro na china Pizza Hut menu
Passando fome na China

Wuhan brasileiro na china Pizza Hut menu
É possível comer muito bem na China. Um prato típico da Pizza Hut

Wuhan brasileiro na china Pizza Hut menu
Passando Fome, o retorno

Vizinhança.

Wuhan brasileiro na china

Wuhan brasileiro na china

Novos amigos chineses

Wuhan brasileiro na china
A minha cama só ficou gostosa depois que coloquei 2 edredons por baixo

2 dias de limpeza para deixar a casa um "brinco".

E para quem acha que eu não me meti em nenhum confusão, engana-se. Mas isso fica para outro post onde contarei mais coisas cabulosas.


Até a próxima

08/08/2013

                                                                                                                    Shenzhen, 08 de agosto de 2013

你好,

Mudar, verbo transitivo, vem do latim mutāre e dentre vários significados pode ser entendido como  levar de um lugar para outrodeslocar; modificar; alterar; transformar; dar outra direção a; desviar  substituir (uma coisa por outra); renovar e etc. É engraçado como uma simples palavra pode ter diversos entendimentos. Recentemente tenho parado muito para refletir sobre minha vida e tudo aquilo que vem acontecendo em minha vida nos últimos 11 meses. E sem sombra de dúvida se eu pudesse resumir o produto dessas inflexões em meu caminho, usaria a palavra mudança. No inicio eu tinha planos de ficar apenas 1 ano na china, chegando aqui era para ter sido apenas 30 dias e hoje me vejo com minhas coisas todas dentro de caixas rumo a outra cidade para mais uma outra temporada de China. É meus caros, ninguém controla seu destino, aliás, ele é imprevisível.

mapa map de Wuhan
Wuhan foi o local onde a Mulan nasceu. Foto: google
Então, agora estou de partida para uma cidade chamada Wuhan (mais próximo ao centro da China, na verdade não é tão próxima assim). Deixo Shenzhen com o coração apertado com as mesmas incertezas que senti ao chegar. Os meus planos eram ficar em Shenzhen por pelo  menos mais 1 ano e, bum, de repente surgiu uma proposta de uma empresa em Pequim, fiquei animado e para minha grata surpresa a vaga não era para lá e sim para Wuhan. Após muito pesquisar e ouvir a opinião de amigos e de pessoas que moram lá, decidir encarar esse desafio.

Mudar nunca é fácil. É sempre sinônimo de novos desafios, de  muito trabalho (para empacotar tudo). Em se tratando de China achei que teria muita dor de cabeça, mas não é que estava errado. A Camila Poleci (que também tem um blog sobre as aventuras em Shenzhen) me deu uma baita força para achar uma empresa que me ajudasse na mudança e graças a ela paguei modestos R$ 93 para o envio de 14 caixas grandes para a minha nova casa (nossa é incrível quanto tralha a gente ajunta em pouco tempo). Ela me indicou um conhecido dela, o Daniel um chines que eu não tenho palavras para agradecer o suporte, que mesmo não me conhecendo me ajudou em tudo, em tudo mesmo. Com as minhas coisas empacotadas e a caminho de Wuhan surgiu um problema: fiquei sem casa. Devido a questões contratuais minha residencia mudou e lá vai corre para lá e corre para cá para arranjar outro lugar (até agora estou sem terra, mas tenho a certeza que tudo vai ficar bem). Graças ao Marcelo, um brasileiro que mora em Wuhan, já consegui pesquisar outros locais e o que mais me chamou atenção foi a alta tecnologia nas coisas. Gente, tô me sentindo um matuto do interior. Mas por que? Por causa disso:




No site onde podemos caçar apartamentos é possível ter uma ideia da vizinha através da visualização em foto paranômica do local (Muito chique, desculpa se tem isso no Brasil, mas não tô acostumado com tanta tecnologia).

  

O retângulo rosa é o GPS do caminhão que levou as minhas coisas. Eu pude visualizar em tempo real todo o percurso realizado pelo veículo, isso pagando para que a empresa venha até a minha casa e carregue tudo por apenas R$ 93 (um negócio da China, né?!). 

Torçam por mim e espero que no meu próximo post eu já tenho encontrado uma casa para morar em wuhan. Por enquanto ficarei hospedo na casa de um amigo de uma das moças do RH da nova empresa onde irei trabalhar.

Até a próxima!!!